A preguiça-de-coleira-do-nordeste (Bradypus torquatus) é uma espécie endêmica da Mata Atlântica, sendo classificada pela UICN como Em Perigo (EN), principalmente devido a sua restrita área de ocupação e isolamento de suas populações, causada pela perda e fragmentação de seu habitat.
Recentemente, descobriu-se que as populações de preguiça-de-coleira no nordeste e sudeste da Mata Atlântica são geneticamente distintas, dividindo as preguiças-de-coleira em duas espécies: preguiça-de-coleira-do-nordeste (Bradypus torquatus) e preguiças-de-coleira-do-sudeste (Bradypus crinitus), restringindo ainda mais a área de ocupação destas e, consequentemente, aumentando assim seu nível de ameaça (Miranda et al, 2023).
Bradypus torquatus
As preguiças-de-coleira do nordeste (Bradypus torquatustêm) tem uma vida arbórea e dieta baseada estritamente de folhas. Por terem um baixo metabolismo, bem como, terem membros extremamente adaptados à vida arbórea, elas são lentas, possuem baixa capacidade de dispersão, e se tornam bastante vulneráveis quando atravessam pelo chão de um fragmento para outro.
O norte da Bahia e Sergipe são as regiões mais desmatadas dentro da distribuição da preguiça-de-coleira do nordeste. Devido à sua pequena cobertura vegetal e altíssima fragmentação, estas regiões provavelmente abrigam as populações que estão mais ameaçadas, sendo a região da Praia do Forte no município de Mata de São João – Bahia, uma área que concentra muitos indivíduos da espécie.
Nas últimas décadas, a expansão urbana tem impactado intensamente as florestas do litoral brasileiro, especialmente a Mata Atlântica em regiões turísticas do estado da Bahia. No período pós-pandemia, observou-se um expressivo boom imobiliário na região litorânea de Mata de São João, norte da Bahia, resultando na supressão de vegetação para a construção de casas e condomínios. Esse processo tem promovido a fragmentação florestal e a interrupção de corredores ecológicos anteriormente utilizados pela fauna arborícola.
Esse cenário afeta de forma significativa as preguiças-de-coleira, ao criar barreiras ao deslocamento entre fragmentos florestais e aumentar a exposição dos indivíduos a riscos durante tentativas de travessia. A mortalidade por eletrocussão em redes de energia, atropelamentos e outros impactos antrópicos já constitui uma realidade local.
Dessa forma, a implementação de medidas que garantam o fluxo seguro da fauna entre fragmentos florestais torna-se fundamental para a conservação da espécie e para a manutenção da conectividade funcional da paisagem.
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